sábado, 16 de janeiro de 2021

ABCL - A questão da contribuição

Pode não parecer, mas muitos clarinetistas não tem condições  de enfrentar a anualidade da ABCL, seja a de estudante, 75,00 reais, ou a de Professores e músicos profissionais, que no momento é de 150,00 reais.

Isto tem sido, claramente, uma barreira para a entrada de novos membros na associação, por mais que se diga que o valor não é tão grande. 

Todavia, existe uma forma conveniente e eficaz para contornar esta questão.

Sites como o Apoia.se, permitem que Associações, devidamente registradas, possam receber, mensalmente, valores de interessados cadastrados através de seus cartões de crédito.

Desta forma, a anualidade de um estudante, que era 75,00 reais, de uma só vez, passa a ser cobrado mensalmente, dividido em mensalidades de 7,00 reais. E se você observar, doze de 7,00 reais, tornam-se em 84,00 reais.. 

E o que é melhor, evitando a atrapalhação de um sistema de cobrança e acompanhamento, já que o cartão de crédito, programado para tal, é que fará um desconto mensal deste pequeno montante.

Que estudante, ou seu responsável, sentiria o dispêndio mensal de sete reais? Isto é pouco mais que o preço de uma passagem de ônibus urbano.

Você consegue enxergar a revolução que isto seria?

Para a ABCL, em vez da entrada eventual e chorada das anualidades, seria uma entrada mensal, garantida, de muito mais pagantes, eu tenho certeza. Um orçamento mais estável e muito mais fácil de controlar.

Vamos nesta?


domingo, 10 de janeiro de 2021

Meu gato preto

 


Um poema (letra, marchinha?) de Oswaldo Pullen



O meu gato virou pandeiro

Quem mandou ir pandeirar


A gata do vizinho

Era gata interessante


Sua cara muito feia

Mas os quartos eram grandes


O meu gato virou pandeiro

Quem mandou ir pandeirar


O meu gato era esperto

Resolveu ir assuntar


Mexeu com a gata alheia

Propriedade particular


O meu gato virou pandeiro

Quem mandou ir pandeirar


O dono era bravo

Não quis nem conversar


Pegou meu gato preto

E mandou desembrulhar


Meu gato virou pandeiro

Quem mandou ir pandeirar


Meu gato era preto

Bem malandro vou contar


Um esperto mais pra bobo

Que me deixou a lamentar


Meu gato virou pandeiro

Quem mandou ir pandeirar


O dono era brabo

Não quis nem conversar


Pegou meu gato esperto

E mandou me preparar


Um pandeiro em couro cru

Que em mãos veio me entregar


Ai, meu Padim que me protege

O que fazer nesta aflição?


Pois pegou meu gato preto

E em mãos veio entregar


O meu gato virou pandeiro,

Quem mandou ir pandeirar?


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Clarinete ou Clarineta? Cuidado, perigo de vida!

 Se você preza o seu futuro com este simpático instrumento, muito cuidado com o que fala.

Clarinete ou Clarineta? Sua vida depende da resposta...


Menino ainda, aprendi que o nome do instrumento musical que se tornaria tão importante para mim era Clarinete. Mal sabia que o meu futuro, e quiça minha vida iriam depender do extremo cuidado no uso deste e final ou de um a da peste.

Faz diferença? Faz, pode acreditar.

Pois no início de tudo era mesmo clarinete, e estava tudo bem. Isto durou a vida toda, até a minha provecta idade, que já passou dos vinte tem meio século.

Mas, no início deste pandêmico ano de 2020, já como um aluno novato, escutei o meu professor falar em alto e bom som:

— Com que então você quer aprender Clarineta?

(Devo estar ouvindo errado...)

— Como, Profi? O senhor quiz dizer Clarinete, não?

Ele me olhou (pelo Google Meet, que é a forma moderna de se olhar hoje em dia), e se manteve impassível. Como também fiquei em silencio, ele resolveu, após uma demora um pouco, digamos, longa, declarar.

— Eu disse, Cla-ri-ne-ta — ele falou com Azão no final e tudo.

Meu saudoso Pai me ensinou que Cabrito que é bom não berra. E daí, resolvi ficar na minha, apesar de meio empombado com o Azão.

— Desculpe o mal jeito, Profi. Não vou mais errar o nome do Clarinet.... errrh, da Clarineta, ok?

Ele pareceu um pouco mais calmo, e daí comecei o comecinho do meu caminho de Clarinetista (ainda bem que todos concordam que o nome é Clarinetista mesmo... ou não?)

Mas, um dia, já muito lampeiro com as minhas habilidades, fui a uma Roda de Choro, e perguntei se podia participar. Era um boteco, e o clima estava pra lá de animado.

— Posso tocar a minha clarineta?

Foi um silêncio total. Na maior inocência, perguntei.

— O que foi que eu fiz?

Um rapaz um pouco mais enfezado que o resto, puxou-me pelo braço e me levou para um canto do boteco.

— Ai, ai, larga meu braço, seu moço! O que foi que eu fiz?

O cara, um pouco fortinho demais para o meu tope, foi logo metralhando.

— Começa que em roda de choro ninguém chega e vai querendo tocar, otário.
Tem que se achegar, entende?

E continuou.

— Tem que ficar peruando, peruando, até que um dia você chega de instrumento na mão e espera que alguém queira ir ao banheiro, ou a patroa está chamando, e ele tem que ir senão é sopapo, e daí você torce para que alguém lhe dê a oportunidade para a canja que você tanto quer, entendeu?

Eu ia responder, mas o Fulano não deu tempo.

— E tem mais! Clarineta é coisa de grã-fino, e aqui todo mundo é gente comum, que toca de ouvido, e não está nem aí para estes trecos de Conservatório, sacou? Aqui é Clarinete, com um "Ezão" no final.
Assim, senta naquele banquinho lá, fica vindo nas próximas Rodas e vai se achegando, até que alguém lhe dê a oportunidade, falou?

Pois é. Se então o nobre, ou a nobre companheira que me lê, não quiser passar pelo mesmo vexame, veja lá que existe uma distância muito maior entre o e e o a, do que a vã inocência de um neófito possa imaginar.

O Saxofone e a Clarineta

Um dia, o Saxofone e a Clarineta se encontraram na porta da Orquestra Sinfônica, e depois dos cumprimentos habituais e conversa amena, o Sax...